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[Fica Dica] Artigo!

10 set

Olá pessoal,

Passei pra deixar um artigo muito bacana que encontrei no site da Revista Carta Capital. A autora é Clara Averbuck, que fala, sobre o quão discriminadas são as gordas, sim, as mulheres em especial. O texto, intitulado “Deixem as gordas em paz”, é um pouco longo, mas, ela aborda situações cotidianas que nós, que estamos acima do peso conhecemos bem, os preconceitos que pessoas gordas sofrem, enfim, achei um texto bem sensato. Vejam um trechinho:

“Não tem roupa pra gorda no Brasil. Não tem mercado pra gorda no Brasil. Pessoas gordas sofrem preconceito em entrevista de emprego (li que precisam fazer cerca de quarenta entrevistas a mais do que uma pessoa magra). Não tem gorda na televisão, a não ser quando é no papel d’A Gorda. Pessoas gordas sofrem preconceito no sistema de saúde. Pessoas gordas sofrem preconceito no transporte público. Pessoas gordas não são doentes. Pessoas gordas são apenas gordas”(…)

Veja o artigo completo aqui!

É exatamente isso! Só que lendo alguns comentários, ainda tem aqueles do contra, dizendo que o texto é quase uma apologia a obesidade, bobagem, claro! Assim como escrever um texto sobre como mulheres magras são lindas, não faz dele uma apologia a anorexia, certo?

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Vi até um comentário sobre uma das poucas personagens gordas que consigo pensar que estão agora na TV, na novela das oito “Amor à Vida”, o nome do personagem eu não sei porque não acompanho, mas, as poucas cenas que vi da moça na novela foram simplesmente patéticas, uma gorda no melhor estilo “loser” de ser, que é desesperada pra perder a virgindade e por conta disso se expõe, com frequência, a situações humilhantes e degradantes, que estão longe de serem cômicas. Acho que é bem esse espaço que os gordos tem na mídia há muito tempo (desde sempre?), de gordos.

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Todos os textos que leio sobre o assunto, que geralmente nada mais ‘pedem’ do que respeito a diversidade física de cada um, recebem comentários daqueles preconceituosos velados de sempre. Como eu escrevi aqui uma vez, os gordos são generalizados como pessoas feias, preguiçosas, doentes, mas, como o próprio artigo aborda, não é bem assim, muitos gordos são apenas gordos, mas, são saudáveis, praticam atividades físicas regularmente e não vivem só de cheeseburguer.

A triste conclusão que tiro sempre que vejo pessoas julgando erroneamente textos como esse por ‘ridículos’, é de que o mundo não está preparado para lidar com as diferenças, ou você é magro, branco, cabelo liso e tem algum dinheiro, ou você sofrerá algum tipo de discriminação. E o pior? Por quem não é magro, branco, de cabelo liso ou rico. Isso mesmo! Os primeiros a julgar ou te olhar torto, estão longe de se parecem com deuses do olimpo, tá.

Infelizmente, acabamos optando por emagrecer, claro que com nossa boa auto estima, pensamos na nossa saúde, qualidade de vida e tal, mas, seria hipocrisia dizer que é não bom pensar em não ser julgada como GORDA, antes de qualquer outra coisa, ser julgada só por isso, sem que muitas vezes, nem conheçam outras qualidades ou defeitos que você tenha. É bom pensar que se emagrecer, não vou ver pessoas na rua encarando descaradamente minha barriga, ou ouvindo coisas como: “Você tem o rosto tão bonito, por que não emagrece?”. É um padrão ridículo, cruel, mas, infelizmente, é o que comanda, como vou ser gorda e orgulhosa, se vou passar a vida perdendo vagas de emprego para pessoas mais magras? Como vou bater no peito e dizer: “Posso ser como eu quiser!”, se sei que, mesmo aqueles que se dizem liberais, cabeça aberta, aceitam de tudo, sempre vão preferir alguém de manequim 38 ao invés de 48, 50, hein?!

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Se submeter? Não sempre, mas, até certo ponto, quando lhe convém, né!

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E a palavra de ordem é… Preconceito?

13 jun

Olá pessoal,

Achei essa matéria super interessante no Terra sobre o preconceito que, infelizmente, ainda existe no mercado de trabalho contra pessoas mais velhas, acima do peso e/ou com aparência não ‘aprovada’ pelas empresas. Há pouco tempo atrás acompanhamos a ridícula ‘política’ da Abercrombie & Fitch, que se recusa a fazer roupas largas, para afastar pessoas gordas e feias de sua marca. Esses dias vi também essa entrevista com o autor Walcyr Carrasco, dizendo que, atualmente, as pessoas gordas sofrem mais preconceito do que negros,  ele cita inclusive essa dificuldade que se estende para o mercado de trabalho.

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Eu mesma, já senti que era ideal para ocupar uma vaga de emprego, mas acabava perdendo a oportunidade, sem saber exatamente o porque, sempre acabava me perguntando e ficando com essa ideia de que tinha sido dispensada por ser gorda. Isso é frustrante demais e um absurdo, ser chamada pra uma entrevista, chegar lá cheia de expectativas, dar o melhor de si, ter qualificação e ser dispensada por alguém magro, e muitas vezes menos ideal para ocupar a vaga, mas que foi escolhido por ser, magro! Triste demais passar por isso e só posso pensar que, temos que contar com a sorte, de achar uma empresa que realmente não se importe com isso e que vá te contratar por suas qualificações e não por seu porte físico. Infelizmente a aparência e a magreza se tornaram algo opressor e nós, que estamos acima do peso sentimos isso na pele todos os dias, só que não temos nada que nos proteja, uma lei, alguma coisa que lute pela aceitação dos gordos.

Muito além disso, as pessoas acham que somos assim por nossa culpa, quantas vezes lendo matérias relacionadas a problemas de peso, me deparei com coisas do tipo “é só tomar vergonha na cara, parar de comer e malhar”. É isso que as pessoas pensam? Que somos um bando de sem vergonhas que só pensam em comer e sentar nossas bundas na frente da TV? Como tudo nessa vida, não podemos generalizar amigos. E as pessoas que enfrentam problemas de saúde, psicológicos, que os impedem de perder peso? E quem passa a vida tentando emagrecer, segue todos os tipos de dietas malucas, se entope de medicamentos, muitas vezes sem sucesso, pra agradar uma sociedade cheia de valores deturpados, que aceita um magro criminoso, mas rejeita um gordo honesto, ou aceita um padre pedófilo, mas rejeita um ateu que protege os direitos das crianças, ou ainda, que aceita um casal heterossexual tendo filhos e abandonando-os a sua própria sorte, mas rejeita casais homossexuais que nem ao menos podem legalizar sua união. Essa é a sociedade que temos de agradar? Essa é porcaria de sociedade que tem nossos empregos em suas mãos, que tem o direito que nos julgar pela nossa aparência, ou por nossas escolhas e dizer quem serve ou não? Nunca vou entender isso, juro. Estou há quase dois anos desempregada, cada vez perco mais a fé no mundo, no ser humano, busco emagrecer pela minha saúde, mas como não vou pensar em me tornar esteticamente aceitável, pelo menos, para o mercado de trabalho? Afinal, assim como qualquer um, preciso sobreviver, infelizmente meu futuro emprego está nas mãos de pessoas preconceituosas, que ainda olham sua aparência ao invés das qualidades.

Desculpem pelo desabafo, mas sei que muitas pessoas, as chamadas ‘páreas da sociedade’ já passaram ou passam por isso. O que fazemos? Lutamos por nós, como somos, correndo o risco de sermos sempre rejeitados e até de ficarmos desempregados até uma boa e despretensiosa alma aparecer em nossas vidas, ou nos rendemos aos caprichos dessa ditadura da beleza e da magreza?

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